sábado, maio 9

Marcha da Maconha teve de ser assegurada por Salvo Conduto, devido à intolerância

Poucas pessoas sabem, mas por pouco não tivemos uma Marcha da Mordaça em Porto Alegre. O ódio ou o preconceito contra maconheiros e maconheiras acabam de receber um tapa de luva.

Se dependêssemos de parte da mídia gaúcha e das autoridades, esta seria
a "liberdade de expressão" que teríamos em Porto Alegre.

Enquanto boa parte da mídia gaúcha noticiava a Marcha como "polêmica" e a trazia para as páginas policiais, coronéis e promotores estavam afirmando publicamente que "liberariam" a Marcha (como se coubesse a eles nos dar um direito que a Constituição já nos garante). Ao mesmo tempo, diziam que iriam reprimir "toda e qualquer manifestação de incitação ao uso indevido de drogas" - incluindo-se a faixa com o próprio nome do evento, e desenhos de folhas verdes.

No entender de parte da mídia gaúcha e das autoridades, estas
seriam imagens perigosíssimas à sociedade.


Wianey Carlet, colunista do jornal Zero Hora, com grande lucidez afirmou na sua coluna deste sábado quão tênues eram tais limites, e quão desmedidas as ameaças. Principalmente diante de tantos outros crimes hipotéticos de maior potencial ofensivo do que esta manifestação, com a sua confirmação da existência de pessoas que usam maconha. Citamos, como exemplo ao acaso, as denúncias de Caixa 2 rondando a campanha da governadora Yeda.

Infelizmente, diante da incerteza quanto à segurança de cidadãos e cidadãs que estariam hoje manifestando pacificamente suas opiniões, tivemos de recorrer à justiça.

Segue aqui, em terceira mão, a muito bem fundamentada decisão do desembargador Nereu José Giacomolli, sobre pedido impetrado pelo advogado Marcelo Mayora e pela advogada Mariana Garcia. Confiram o salvo conduto que nos garantiu, hoje, que esta manifestação inegavelmente pacífica transcorresse sem abusos pela interpretação da lei:





Foi interessante ver como é que, uma vez respeitada a Constituição, os desenhos de folhas verdes automaticamente deixaram de representar perigo à sociedade, para parte da mídia. Por sua vez, os comandantes da Brigada Militar lá presentes nos falaram de sua sincera aprovação do salvo conduto, demonstrando sensatez em simpatizarem com a abordagem não-ofensiva. Comentaram brevemente conosco sobre o fato de policiais também serem vítimas da Guerra às Drogas. Enfim, tivemos um diálogo que provavelmente reportagem nenhuma iria desejar mostrar: a pacífica convivência de idéias entre defensores da legalização das drogas e policiais em serviço.

Didaticamente, na decisão oficiada ao Comando de Policiamento da Capital, para o Coronel Jones Calixtrato Barreto, nos ensina o desembargador Nereu José que "crimes de apologia" só poderiam existir, em uma Marcha da Maconha, se por acaso a organização do evento louvasse explicitamente alguém que tivesse usado drogas.

A Marcha da Maconha em Porto Alegre (também chamada em alguns cartazes de Marcha da Família Consciente) foi um sucesso, com aproximadamente 500 pessoas, sem qualquer tipo de delito - e sob o olhar de meia dúzia de "manifestantes contrários", que a mídia mostrou com exaustão, mas dos quais, por algum motivo, não lembramos direito.

A não ser por duas pessoas, que acharam a Marcha "um absurdo", mas recusaram com veemência o convite à segurar uma bandeirola com a palavra PAZ.

11 comentários:

Anônimo disse...

Parabens a todos que organizaram a marcha...um evento para ficar na história de poa!

Cucaracha Enojada disse...

se liga nas palavras chave da notícia do diário de canoas:
"Tags/ palavras-chave:Porto Alegre, morte, consumo, câncer, prisão, Ministério Público, exposição"

Abdul Khalid Ansari disse...

Ótimo texto, resume bem as dificuldades que aconteceram pra realização da marcha.
Parabéns ao coletivo princípio ativo.

Marcelo F. disse...

Parabéns aos organizadores do evento...

soñando disse...

Muito massa! Espero que no ano que vem tenha mais pais de família, acho que falta essa imagem mais "padronizada" pra que a mídia dê mais atenção e legitimidade à nossa causa. Participava das primeiras reuniões do Princípio Ativo em 2007 e fico muito feliz de ver a marcha acontecendo finalmente. Abraços!

Marcelo Sizer disse...

Percam o medo, mostrem a cara! Quem não faz nada de errado não tem por que ter medo!

Entrem pra luta porque ela é de todos nós!

Parabéns a todos pelo sucesso da Marcha da Maconha!

Dênis Petuco disse...

Marcelo, Rafa, leo e outros que eu não pude conhecer: parabéns a todos vocês. Vocês são os caras!

[ ]s

Ely disse...

Parabéns aos organizadores do evento. Bela iniciativa.

Marcelo Mayora disse...

Aqui está o que de fato ocorreu na semana que antecedeu a Marcha. Enfim, foi bem interessante deixar nua toda a intolerância e falsidade da BM, a hipocrisia do MP e a conduta interesseira, direcionada e absolutamente contra a ética do jornalismo que a RBS adotou.

Saudações ao Desembargador Nereu Giacomoli. Decisões como a dele renovam as esperanças.

S.gota disse...

Muito bacana a iniciativa!
Ainda bem que vivemos onde existe a democracia, uma Porto Alegre em que ideias e ideais 'marcham' lado a lado (sei que por pouco não aconteceu a marcha...mas mesmo assim exalto a visão e coragem que Porto Alegre sempre ostentou em relação a opiniões adversas!)
Conifio na nossa Brigada e fumo meu baseado, sonho com a discriminação da maconha!

Abraços!

Fernanda Billy disse...

muito boa iniciativa, ano que vem tem que ter denovo....